Um trio Viçosa para três

Sai da agência tarde, computador travando, job atrasado e outros tantos empilhados esperando todo meu carinho e atenção (hoje não, só amanhã). Essa parte do dia deixo pra trás quando boto meu pé fora do prédio e começo a caminhar até a rodoviária.

Tava chovendo, parou de chover, mensagem avisando que tá sussa, então partiu sem o guarda chuva (fantástico que comprei na Liberdade por tlinta reais). Foram 100 metros até a chuva cair, de novo: nem pensei em nada, não desesperei ou fiquei putaço, só ri desse belíssimo caralho de destino. “Era necessário chover”, “é bom que oxigena o cérebro”, “tinha que ser assim”, “estava tudo escrito para ser”, alguns podem dizer mas isso só vai deixar minhas meias molhadas e infiltrar água na minha mochila, na verdade.

E tudo mudou quando parei na rodoviária, conferi minha carteira e lá estava uma senhora nota de R$ 10, super disponível. Pela imagem percebesse que estou ostentando um trio Viçosa, safra de caldo moído no dia e pastel frito há mais de 3 horas, borrachudo, oleoso e meu, todo meu, fruto do meu trabalho e da minha feliz sorte de ter esquecido de fazer contas direito. Era um sonho consumir carnalmente (e queijamente) aquele quitutes, mas eles não eram meus, do tipo “TODOS só pra mim”. Vou explicar.

the famous “trio Viçosa”

Em menos de 25 segundos após sacar essa foto, me chega um mendigo, que chamarei de Ivonei (tive um cunhado míope, com 10 graus de cegueira, que tinha esse nome). Nei chegou de mansinho, quase como um espírito demoníaco, e pediu um dos pasteis. Negociando de maneira executiva e sendo bem político, perguntei se ele queria o que eu estava comendo (sairia no lucro pois já tinha abocanhado 2/3) e ele topou.

Não disse a vocês mas o Nei tava usando um brinco daqueles de adolescente com detalhe azul. O cidadão, na situação de mendigo, todo sujo, roupa preta, o cabelo duraço, mas tinha aquele elemento que distorcia a realidade, um brinquinho azul, que estavam bem estáile pra falar verdade. Pois lá estou na Plataforma Inferior da Rodoviária, a me recuperar desse susto da porra e me volta o Nei, com um copinho sujo que pegou na lixeira, e me pede solidariamente um pouco de caldo de cana. Claro que compartilhei, afinal, tinha muito ainda e com aquele pastel duro feito pedra, ele iria precisar de algo pra ajudar a engolir. Mas é muito mesmo, tão servindo quase meio litro de caldo num copo agora. Nei finalmente foi embora (será?) para o maravilhoso mundo de Bob e eu achei que minha refeição continuaria sem interrupções. Novamente, um puta engano.

Outra vez fui abordado, agora por um cara esquisitão, tipo aquela moçada que faz o jogo da bolinha (ele tinha um colega ao lado). O chamarei de Claudinho (esse era os córneos daquele cantor da dupla Claudio & Bochecha, o que morreu). Mais tímido, novamente falando baixo (acho que para dar aquela sintonizada “na humildade”), vestindo uma bermuda da Cyclone e camiseta de algum time europeu, Claudinho pediu, na moral e na humilde, meu caldo. Sim, ele queria dar um bico no meu caldo.

Sabe o que me deixou em pânico? Não foi a possibilidade de aqueles dois distintos senhores me assaltarem, pegarem meu pastel de carne (já nos finalmente, estava faminto) ou até levar o que restava do caldo (Nei me levou metade e só restava uns 150ml).  Nada disso. Me veio automaticamente a lembrança de que estou, há 2 dias, me recuperando de uma afta, próxima ao céu da boca, que tem me incomodado bastante. Problemas com acidez de alguns alimentos, a correria do trabalho, estresse, tudo isso pode favorecer ao surgimento dessas úlceras na boca que estragam a vida da gente.

Fiquei bem bolado de compartilhar com Claudinho meu copo porque, se eu deixo ele dar um bico e isso acaba por aumentar ainda mais minha afta. Mas ele poderia dizer “minha boca é limpinha, uso Cepacol, pode confiar”. Mas não dá pra confiar nessas coisas. Porra Nei, olha em que situação você me deixou, cara?

Numa fração de segundos, mentira, menos do que isso, fiz uma mágica mastigatória e desapareci com aquele pedaço de pastel que ainda estava na mão. Pedi paciência ao Claudinho e dei, eu meu “último bico” no copo de caldo e entreguei ao sedento rapaz, que saiu sem ao menos dizer obrigado. Acho que o Nei também saiu sem me dar obrigado, tomar no cu os dois então.

Dei meu copo de caldo e talvez o Claudinho tenha de lidar com uma afta no futuro. Na verdade, não espero que ele tenha esse desprazer, afta é um negócio chato para caralho. O importante é que cheguei em casa, não estou tão molhado e amanhã pode acontecer tudo, outra história fantástica como essa ou até nada. E ser só mais um dia regular, com a gente compartilhando, sejam os Stories da vida, o caldo, um pastel, o que a gente puder.

Tábua de passar

Mais um dia na agência, só para começar o texto situando vocês no tempo/espaço (o que não é difícil já que passo a maior parte do tempo no trabalho). Estava de bobeira na copa e resolvi utilizar todo conhecimento de japonês e mandarim que tenho para traduzir esse ideograma na camiseta do menino Yuri Coppe enquanto este passava rapidamente pela copa em busca de seu famigerado copinho de café (também conhecido como “almoço”). Seguimos com a tradução dessa belíssima tipografia xing-ling.

Na simbiose dos traços vemos que a horizontalidade denota uma prancha de apoio para execução de algum trabalho, como a pia para preparar um sushi ou uma cama, para deitar os mortos (e pode significar “força”, “família” ou “sorte” também, já que para nós, ocidentais, essas paradas são completamente alienígenas).

Os demais traços que formam uma espécie de “X” são, em sentido figurado e literal, um x mesmo. A união desses 3 traços forma uma tábua de passar roupas, com um pequeno desnível em um dos pés de apoio, o que torna essa superfície inadequada para se alinhar vestes, ou seja: essa porra é uma tábua de passar com desnível, logo, sua camiseta ficará amassada (assim como estava a camiseta do Yuri). Isso nos leva a crer que os orientais são mesmo um povo muito foda, não é verdade?

Escrevi essa asneira originalmente no Instagram.

Criança interior

Acho que fui uma criança legal, adorava esse chinelo amarelo que tinha um solzinho. Nessa época a gente ainda morava no barraco de madeira e tinha umas baratonas que andavam dentro do colchão. Lá no fundo dessa foto dá pra ver a casa da dona Balbina, já levantando uma alvenaria. Ao lado dela tinha o barracão do seu Pilola, avô do Léo, pai dos filhos da dona Geza, uma família grande mas muito gente boa. Sempre passava lá de tarde pra chamar os moleques, ou pra brincar na rua ou ficar curiando os aparelho de som queimado, tubo de televisão e um monte de fio, nos fundos do cafofo do Nixon.

O trabalho infantil era ocasional na oficina do Osmar, onde a gente lavava peças dos carros, usando gasolina e querosene, e ganhava um pão com Baré. Que saudade da vó Maria, a mãe do tio Celso e da minha madrinha, Marina. Essa vó de todos nós (que Deus a tenha em bom lugar) sempre trazia pão de queijo e bolo no meio da brincadeira, na calçada, com aquele pratinho coberto pelo pano de prato, bordado por ela mesma. A gente todo largado, todo sujo de terra e ela matando nossa fome, acreditando no rolê e praticando a caridade.

com poucos anos de idade e muito mais cabelo na cabeça do que hoje

Não sei se fui uma criança estranha ou se hoje me tornei um adulto sem sal, mas naquela época nada precisava fazer sentido, era tudo caótico mas ao mesmo tempo, legal e fluido demais. A única motivação séria que eu tinha era viver um dia melhor que o outro e ver o tempo passar. E eu achava que tudo demorava demais.

Mas de repente, agora, estou aqui escrevendo, uns 30 anos depois, lembrando de tanta coisa… me desculpem mas nem sei como finalizar isso aqui, vejamos: um feliz Dia das Crianças – sejam elas crianças viadas, trans, nerds, cuzonas, mimadas, geniais, incompreendidas, criativas, bravas, eufóricas, aventureiras ou até mesmo aquelas meio “caladonas”, com jeito de psicopata, tá ligado? Afinal, quem de nós não foi?

Desemprego Show

Recentemente comecei a postar alguns vídeos no meu canal do YouTube sobre a temática do desemprego, esta mazela social que atinge  9,5% da população brasileira (ATUALIZAÇÃO: é agosto e estamos quase chegando aos 12 milhões) . E olha que ainda não passamos de março e a previsão (triste) é que este número cresça ainda mais (cresceu mesmo).

Na política estamos enfrentando um turbilhão de más notícias. Há um pedido de impeachment presidencial a ser julgado por um Congresso repleto de gente com culpa no cartório; investigações da Operação Lava Jato que estão desnudando as faces ocultas do poder; uma enorme insatisfação popular tomando conta das ruas e uma constante desaceleração da economia achatando [mais e mais] o poder de compra dos trabalhadores.

A cena triste e eu avisei. Mas adversidades como essas também nos inspiram a fazer vídeos, xingar muito no Twitter, escrever posts no blog e utilizar tudo quanto é forma de expressão. Isso até inventarem uma forma de tarifar tais tipos de expressão, o que não ocorreu ‘ainda’.

E todo mundo sabe que rede social é sinônimo de partilha [do com/partilhamento], ninguém sofre sozinho e quer gritar pra todo mundo ouvir.

Nos vídeos do YouTube eu não comento apenas estas situações que o país enfrenta, até porque a grande mídia já faz isso diariamente.

Apenas compartilho as agruras que enfrento, como a dificuldade de se conseguir uma recolocação profissional, a rotina de fazer contatos, empreender frilas, garimpar vagas, distribuir currículos e vender o peixe.

A produção deste quadro é esporádica, já subi 2 episódios e podem vir outros, a qualquer momento. Vão assistir.

Desemprego Show #2

👉 Ver todos os vídeos na playlist Desemprego Show

exercício de escrita criativa

Há um tempo vi num blog [que infelizmente não lembro do nome] uma proposta de escrita criativa que consistia em imaginar 5 palavras ou blocos de palavras compostas e redigir um texto, sem limite de linhas ou tema definido. A única exigência é que estas palavras estivessem presentes na composição.

Então numa  noites dessas resolvi experimentar e pensei [de forma aleatória] em “pão”, “batata”, “triciclos”, “cimento fresco”, “psicanálise freudiana”.

Abaixo o resultado das minhas mal traçadas linhas.

——

Acordei cedo e após tomar um banho frio, vesti qualquer coisa e desci até a padaria. Enquanto o elevador descia, me lembrava da refeição que tivemos na noite anterior: sopa de batatas.

Goulash Venison, típica da região da Bavária.
Goulash Venison, sopa de batatas com mix de carnes típica da região da Bavária.

Ela estava comigo naquele restaurante de sempre, o francês, que ironicamente era gerenciado por um alemão. Talvez isso explicasse o fascínio de seu administrador em implicar com o chef, que era de Toulouse.

Hans, o alemão, exigia que o menu tivesse a famosa sopa de batatas, iguaria da Bavária e de quase todos os países daquele lado da europa. Nesse restaurante também serviam um pão maravilhoso de entrada. Lembro de ter visto Bernadete pedir ao garçom que trouxesse mais uma porção.

Ela estava radiante naquela noite, assim como sempre esteve em todas as outras. Seus vestidos escuros, de caimento médio, maquiagem simples e sofisticada, daquelas que se produzem em 10 minutos, mas que nos levam a pensar sobre a beleza feminina por uma eternidade, culpa da sinestesia de um olhar penetrante, de lábios vermelhos e convidativos, como os dela.

Caminhei pela rua molhada, as nuvens insistiam em nos respingar após o temporal da madrugada. Haviam muitas folhas pelo chão anunciando que a primavera e a saudade eram sentidas.

Concreto debaixo para cima.
Concreto debaixo para cima.

Me fez lembrar que há 3 dias naquela mesma calçada o cimento estava fresco como a primeira página de um livro infantil. Ainda posso ver algumas marcas, provocadas enquanto a amálgama asfáltica se formava. Dava para ver ali 3 linhas, que denunciavam a passagem de triciclos ou o risco feito por um tridente.

Naquela mesma rua funcionava, onde hoje está a padaria, o escritório de um famoso psicanalista. De origem hispânica, Ruan Escalante era o profissional preferido daquela horda de seres neuróticos e entediados que compunham nossa sociedade urbana.

Aqueles de muitas posses ou até mesmo alguns menos afortunados da classe média. Todos queriam se acomodar no divã de Ruan, que era como o pão fofinho do restaurante, um querido, um alento para aquelas mentes tão atordoadas e carentes.

Todos os caminhos da emoção levam ao divã.
Todos os caminhos da emoção levam ao divã.

Meu pai costumava se consultar com Dr. Ruan. Era uma forma honesta que ele encontrou para recuperar do trauma que fora a morte de mamãe. Em algumas idas ao consultório, na condição de acompanhante, pude ver meu pai e outras pessoas que buscavam desabafar.

Naquela idade eu não fazia ideia do que se tratavam aquelas consultas, tinha zero noção do que seria uma “regressão” ou no que consistia a abordagem da “psicanálise freudiana” no tratamento de mazelas causadas pelo desequilíbrio da mente, do movimento social que só acelerava, dos vícios recém-inventados e das aporrinhações dos relacionamentos.

A verdade é que nunca precisei de psicanalista como preciso de pão fresco e café todas as manhãs.

Retrospectiva 2015

Dirigia pela BR 060 neste 1º dia do ano e inevitavelmente comecei a relembrar  2015. Sei que o período canônico das retrospectiva já passou mas ainda sim quero enumerar, para fins de registro, aquilo que fiz nesse ano tão aclamado [positivamente ou negativamente] por todos nós. O que deu certo ou errado? Confira.

O que deu certo 

Vida de desempregado

Período sabático após 3 anos de muito trabalho na Casa do Povo
Período sabático após 3 anos de muito trabalho na Casa do Povo

Pode parecer uma loucura sem tamanho mas ter sido dispensado do cargo que ocupava na assessoria de imprensa de um importante segmento da Câmara dos Deputados me fez refletir e tirar proveito de uma situação que,  no geral, encaramos como algo ruim. E um mito a ser detonado é o de que por não ser remunerado e tecnicamente pouco desafiador, o período do desemprego pode ser inútil. Pelo contrário.

Melhorei meu condicionamento físico

Com tanto tempo livre, o que mais me intrigava era como iria gastá-lo de forma produtiva. Dediquei horas a estudar rotinas de treinamento, vi vários vídeos no YouTube com dicas de profissionais, comprei suplementos alimentares e criei o hábito de frequentar a academia, mantendo a regularidade, medindo o impacto dessas atividades em minha saúde e me preocupando mais com a alimentação.

Selfie no espelho da academia: quem nunca?
Selfie no espelho da academia: quem nunca?

Fiz tudo isso e continuo, porque com o tempo tomei gosto.
É salutar e me garantirá alguns anos a mais de vida.
Por quê não?

Bati o recorde de leituras

Diferente de outros anos em que meu coeficiente de leitura beirou 5 livros, uma vergonha nacional, em apenas 10 meses consegui ler 17 livros. É algo para se comemorar. E serviu como um incentivo para estipular a meta saudável de 30 livros que quero ler em 2016, incluindo novos gêneros e autores nacionais que por falta de organização e vergonha, ainda não li.

Raridade: atualmente 99% dos meus livros são digitais.
Raridade: atualmente 99% dos meus livros são digitais.

Meus gêneros favoritos são as biografias, novas abordagens na psicologia, ficção científica, empreendedorismo, filosofia e tudo que tem a ver com tecnologia e comunicação.

O que li em 2015:
Hackeando tudo – Raiam Santos
Lobão – 50 anos a mil – Claudio Tognolli
A ira de Nasi – Mauro Beting
A filosofia entre a religião e a ciência – Bertrand Russell
Inteligência Emocional – Daniel Goleman
Lá vem todo mundo – Clay Shirkis
A metamorfose – Franz Kafka
Walt Disney – Neal Gabler
Google, a biografia – Steven Levy
Como estudar para concursos – Alexandre Meirelles
Big Data Revolution – Kenneth Cukier
Scar Tissue – Larry Sloman & Anthony Kiedys
O poder dos quietos – Susan Cain
O Sofista – Platão
The First 20 Hours – Josh Kaufman
Python for Informatics – Charles Severance
Accelerated Learning Techniques – Joe McCullough

Estudei sério

Em fevereiro bateu uma onda de querer estudar para concursos. Fui influenciando pela proximidade com a carreira pública, ao exercer um cargo comissionado no Legislativo, e também por curiosidade, pois sempre quis compreender a disciplina e os métodos que esses CDF’s utilizam ao passar longos períodos estudando e perseverando por melhores resultados em provas. Na verdade eu só estava cumprindo o ciclo de todo bom brasiliense,  de ter uma época da vida dedicada ao estudo para concursos. “É a parte que nos cabe neste latifúndio”, parafraseando João Cabral de Melo Neto. Está em nosso DNA e é meio difícil fugir disso.

Desktop: Me desorganizando posso me organizar.
Desktop: Me desorganizando posso me organizar.

Então acumulei centenas de hbc’s [horas com a bunda na cadeira], estudei muitas disciplinas, códigos e legislações; fiz exercícios aos montes e, como na experiência de marombeiro, também desenvolvi habilidades que antes não possuia, como técnicas de estudo e memorização, disciplina com horários e hábitos de revisão de aulas.

Nesse período também venci o péssimo hábito que era não conseguir estudar em casa. Só me sentia a vontade numa biblioteca, sempre foi assim. Então botei na cabeça que era possível me concentrar noutro lugar: equipei o cantinho de estudos que tenho em casa com uma cadeira confortável, comprei headphones, utilizei protetores auriculares e nada mais me tirou daquela pilha de livros, páginas de internet, planilhas, cronômetros e métodos.

Mas de volta à trilha do concurseiro, fiz algumas provas e minha performance até estava evoluindo, porém desanimei com as previsões negativas para a economia em 2016, que frearam inúmeras contratações públicas as quais me interessavam. De positivo ficou o conhecimento acumulado, que nunca se perde. Agradecimento especial ao Alexandre Meirelles, autor de “Como Estudar para Concursos”; e também ao amigo Wesley Peixoto, um dos meus super heróis no universo paralelo dos concursos.

Publiquei vídeos autorais no YouTube

Não parece mas sou uma pessoa tímida, principalmente quando se trata de ficar em frente à uma câmera. Então num desses surtos criativos inventei de fazer uns vídeos autorais e com temas diversos para publicar em meu canal do YouTube.

print_vlog-ff-2015
ff_vlog: um experimento para driblar a timidez

Neles expus opiniões, empreendi um processo criativo que estava muito afim de conhecer e com a ajuda de alguns truques de edição posso dizer que a timidez audiovisual foi superada. Ou pelo menos grande parte dela.

Na série de vídeos que produzi, foram 8 no total, falei sobre os estereótipos na cultura pop, curiosidades sobre o “pau de selfie”, a questão dos lobbies políticos, a dependência tecnológica, o culto às produções amadoras, o dilema da sinceridade, dentre outros temas. Tudo ia relativamente bem mas as “produças” foram interrompidas, apesar dos vários feedbacks positivos, alimento para o ego e fundamental para qualquer produtor de conteúdo.

Pensar um roteiro, executar, editar, publicar e divulgar nas redes, todo esse processo, que executava sozinho, estava me tomando um tempo precioso. De resto foi outra experiência muito positiva que vivi e que pretendo retomar em 2016, em novo formato e com mais qualidade. PS: Aproveitando a oportunidade, vai lá conhecer o meu canal no YouTube.

Comecei a programar

Meus amigos e seguidores de longa data nas interwebs sabem o tanto que sou aficcionado por tecnologia, mesmo tendo minha formação nas ciências humanas [sou graduado em Comunicação Social]. Mas entrando no Delorean e desembarcando no começo da minha vida profissional, é preciso lembrar que meu 1º emprego foi como estagiário num Departamento de TI; assim como a primeira faculdade que comecei e abandonei, ficava na seara das ciências dos dados.

De volta ao passado para entender o futuro.
De volta ao passado para entender o futuro.

Essas histórias eu quero contar depois. Pode ser?

Sim, esse nariz de cera tá gigante, esse parágrafo está prolixo para caralho e até agora não falei nada sobre programar. Mas lembrem-se: o texto e o blog são meus, posso enrolar o tanto que eu achar melhor.

Dica: use a barra de rolagem.

Continuando…

Durante os últimos anos, por necessidade, estudei e aprendi muito sobre o funcionamento de sistemas de gestão de conteúdo, servidores web, bancos de dados e todo aquele bê-a-bá de configuração, instalação de softwares e tutoria de usuários. Mas e a programação, cadê? Necas. E até o que aprendi para quebrar um galho [CSS e HTML] não é considerado como linguagem de programação, são marcações de texto.

E entre tantas atividades que estava executando nesse período do desemprego, eis que numa conversa de Facebook com o Nandico, ele me recomendou uns cursos do Udemy, assim que mencionei o enorme desejo de realmente botar a mão na massa e aprender a programar. Então, uma iniciativa surgiu.

Na verdade, como os cursos no Udemy estavam beirando US$ 200 e R$ 1 cotado a US$ 4, busquei algo mais barato e me matriculei numa turma de introdução à programação com Python, oferecida gratuitamente pelo Coursera. Ao terminar o módulo básico tive a sorte de encontrar pelo Twitter um curso de desenvolvedor iOS no Udemy com uma super promoção: de US$ 200 por apenas US$ 10.

Neste curso de programação para iOS, onde agora estou aprendendo Swift,  tenho caminhando [de]vagarmente, já que minha experiência é bem rasa nessa área. Mas posso afirmar, com alguma margem de erro, que daqui uns meses chegarei ao ponto de viabilizar alguns projetos de desenvolvimento que sempre sonhei em executar. É só o começo, não reparem a bagunça do projeto de empreendedor aqui, ok?

E assim falou Zaratustra [@rogeriopa] quando anunciei a iniciativa de programar no Twitter:

BÔNUS: Também finalizei no Coursera o módulo básico da especialização em Big Data, oferecido pela Universidade de San Diego. Adoraria ter feito as próximas disciplinas mas infelizmente tive que abandonar o navio pois não disponho de um supercomputador que rode a plataforma  Cloudera/Linux, requerida para a realização do curso.

Estudiar y aprender español

Em poucos meses atingi 40% de fluência em espanhol com a ajuda do Duolingo, um aplicativo bacaníssimo e com um método bem simples mas eficaz. Nele também estudo francês, esse idioma de fresco que abandonei no nível intermediário em plena aborrecência. Pratico diariamente o inglês, meu idioma preferido.

Aprimorando meu espanhol de fast food.
Aprimorando meu espanhol de fast food.

Acho que melhorar a fluência em línguas latinas é para mim um incentivo a tentar algo mais complicado, como mandarim, japonês ou alemão. É possível e eu quero muito.

O que não deu certo

Cancelamento dos concursos públicos previstos para 2015/16

Esse acontecimento, fora do meu alcance, mas que teve um sincero impacto nos meus planos, como explicado acima, foi um dos motivos de eu ter dado um stand by calma aê nos estudos para concursos públicos.

Retornar ao mercado de trabalho ainda em 2015

A opção pelo período sabático de desemprego foi de interesse pessoal e me motivou a dispensar algumas propostas que surgiram após essa minha decisão. Confesso que fiquei tentado a voltar mas segurei a onda. Porém, ao final de setembro, devidamente embriagado de tédio, decidi retornar à busca por emprego e queria ter tido êxito antes que 2015 chegasse ao fim – o que não aconteceu. Mas entre mortos e feridos, essa busca continua. A brincadeira está só recomeçando.

Licença para pilotar motocicleta

Sempre tive o sonho de pilotar uma motocicleta. E por desleixo ou por falta de organização, esse sonho era sempre deixado de lado. Mas dispondo de um super período sabático é claro que sobrou tempo para realizar algumas coisas. Fiz aqueles exames psicotécnicos, paguei as taxas, agendei aulas e todo aquele blá blá blá.

You lose, try again!
You lose, try again!

Então após ter realizado todas as aulas com uma performance que considerei excelente, resolvi que estava na hora de encarar o teste. Para minha não sorte, reprovei duas vezes, contabilizando outro 7×1 em meu jogo da vida. Após esfriar a cabeça, encontrei o motivo mais sensato para definir o meu fracasso sob duas rodas: o nervosismo.

É um problema emocional. Algo que precisa de reflexão, de terapia, de mudança de hábitos. Porque sentir insegurança, mesmo quando se está nitidamente super preparado, além de ser algo normal de se ver por aí é também algo absurdamente passível de mudança. O livro “Inteligência Emocional”, mencionado anteriormente, me ajudou e tem ajudado demais a lidar com essa questão da psiquê, das raízes desse meu nervosismo. Psicologia works!

Reboot

Dezembro é o mês do meu aniversário. No recorte final do calendário também comemoram o garoto Jesus, Isaac Newton (in memorian), Humberto Gessinger, Brad Pitt e a lenda do entretenimento dominical, Sílvio Santos. Só nasceu (e nasce) gente cabulosa nesse mês, como deu pra perceber.

Dezembro é também o mês que escolhi para rebootar umas coisas na minha vida antes de virar a folhinha para o 2016. E isso inclui este blog.

Bem vindo(a), seja lá o que você seja.